Jongo, uma cultura de resistência

O Jongo é uma dança de origem banto (é bom lembrar que, no Brasil, era chamadobanto “qualquer dos escravos chamados deangolas, benguelas, cabindas, congos, moçambiques, como nos ensina o dicionário Aurélio.), e dele tomam parte homens e mulheres. É uma dança de roda (do mesmo tronco do Batuque, que, provavelmente, deu origem ao Samba e ao Pagode), onde os participantes se movimentam em sentido anti-horário, seguindo o ritmo dos tambores.  Sua coreografia, porém, varia de acordo com a localidade e só é dançado à noite,  à luz de fogueiras cujo calor ajuda a manter a afinação dos tambores. Pode ser dançada, também, ao redor ou em frente aos instrumentos e,  às vezes, prolonga-se até o raiar do dia.

Renato Almeida, em História da Música Brasileira,transcrito por Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, nos diz que “No centro da roda, exibem-se os dançarinos, individualmente, numa coreografia complicada de passos, contorções violentas e sapateado, no que revelam grande agilidade. O acompanhamento é feito exclusivamente por instrumentos de percussão, pequenos tambores chamados tambores de jongo, que são barrilotes fechados por uma pele esticada. Às vezes o cantador traz um chocalho na mão. O interesse do jongo está na disputa que fazem os dançarinos de suas habilidades, sendo comum irem ao centro da roda dois deles  –  um homem e uma mulher  –  e encorajados pela vibração da assistência, realizam um verdadeiro desafio de passos.  O canto é de estrofe e refrão, sustentado pelo ritmo surdo dos tambores, às vezes estranhamente combinados, e ajudados pelo batido das palmas.”

Alguns folcloristas afirmam que o canto do jongo compõe-se de 2  partes: uma com desafios ou “pontos de demanda”, onde os participantes tentam decifrar o que diz o cantador e outra de música, só para dançar, às vezes com palavras incompreensíveis.

O canto, juntamente com os instrumentos e a dança, tem grande importância. E suas letras também podem variar a cada dança, ou em cada região.  Alguns folcloristas a classificam como dança religiosa, dizendo que o jongo nasceu quando Nossa Senhora soube que Jesus Cristo tinha ressuscitado e saiu com um apitinho na boca, dançando.  Mas ela pode ser também satírica, como nos mostra esta letra, crítica explicita ao coronelismo que tomava conta da política brasileira:

“Tanto pau de lei
que tem no mato,
embaúva é coroné.”

“Pau de lei” ou “madeira de lei”, é sinônimo de madeira boa, enquanto “embaúva” é madeira fraca, que apodrece facilmente.  Ou seja: em meio há tanta gente boa para ocupar o cargo político, escolheram logo um que não tem qualidades.

No Jongo, pode haver 1 ou 2 cantadores (alternados), que puxam seus “pontos” com chocalho, ou guaiá na mão, sendo respondido pelo coro, em refrão.

Além do chocalho, o Atabaque guanazamba, o atabaquecandongueiro, o atabaque cazunga, a cuíca ou puíta, são os outros instrumentos utilizados.

Encontrado em diversos estados brasileiros, como Espírito Santo, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o Jongo tem despertado a curiosidade dos estudiosos. O Jongo da Serrinha, por exemplo, que é considerado a semente de todas as escolas de samba da região de Madureira, subúrbio de Rio, e atualmente está sendo difundido em grande escala e ocupando diversos espaços culturais do Rio de Janeiro, já é um nome conhecido em todo o mundo.

Clique no link abaixo e veja um vídeo com o Mestre Messias tocando o Jongo Diminuto

Autor: Yassir Chediak

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