Quadrilha

Quem não se lembra da bela música de Chico Buarque, Quadrilha, cuja letra diz:

“E neste ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E neste ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Não me leve a mal
Não me leve a mal…”

Mas, o que é QUADRILHA?  E de onde ela se origina?

Os pesquisadores de nosso folclore afirmam que ela se originou na Inglaterra, entre os séculos XIII e XIV e foi levada para a França pelos participantes da Guerra dos Cem Anos.  Foi lá, em Paris, que essa dança popular entrou nos palácios, tornou-se nobre e, como a França era a Capital Cultural da Europa, espalhou-se pelo continente.

É interessante notar que a Country Dance, inglesa, transformou-se em contredance e, em português Contradança que, conforme nos ensina mestre Aurélio é

  1.  Dança de caráter rústico, de quatro ou mais pares que se defrontam e executam uma série de movimentos contrários.
  2.  A música que acompanha essa dança. [Cf. quadrilha (3 e 4).]
  3.  Qualquer das danças em fileiras opostas.
  4.  Música que acompanha qualquer dessas danças.

Na França, era dançada em cinco partes, compassos variando de 6/8 a 2/4 e terminando em um galope. No Brasil, onde ela se tornou popular, e é dançada em homenagem aos santos juninos Santo Antonio, São João e São Pedro, são vários os tipos quadrilha como, por exemplo a Quadrilha Caipira, comum em Minas Gerais e São Paulo; o Baile Sifilítico, em Goiás e Bahia; a Saruê (de soirée), no Brasil Central.  Existe também a Mana Chica, na região de Campos, considerada por alguns estudiosos como a mais importante.  A mais comum, entretanto, é aquela que representa um casamento na roça, com noivos, padres, convidados, etc. É dançada em pares e um “marcador”, com seus comandos, guia os casais.

Os pares que dançarão a quadrilha são marcados pelo 1 e 2. São formadas duas fileiras, uma com os cavalheiros outra com as damas, uma em frente à outra e cada cavalheiro fica diante de sua dama, distante 2,5m um do outro.

Os comandos mais utilizados são:

BALANCÊ (balancer): os pares ficam balançando o corpo, ao ritmo da música, sem sair do lugar. É usado várias vezes durante a dança, quase sempre quando termina um passo, com um grito incentivando os casais. Às vezes determinado comando é dado só para os cavalheiros e, então, as damas ficam no BALANCÊ, e vice-versa.

ANAVAN (em avant): caminhar para frente, ir avante, balançando os braços.

RETURNÊ (returner) ou ANARRIÉR: os casais retornam aos seus lugares.

TUR (tour): significa dar um giro para a direita, com o cavalheiro abraçado a cintura da dama com a mão direita e ela com o braço esquerdo no ombro dele.

CUMPRIMENTAR ÀS DAMAS: os cavaleiros, sempre no ritmo da música, fazem uma reverência às suas damas, quase se ajoelhando em frente a elas.

CUMPRIMENTAR OS CAVALHEIROS: ao contrário do comando anterior, agora são as damas que caminham até seus cavalheiros e os cumprimentam levantando levemente a barra da saia.

DAMAS E CAVALHEIROS, ATENÇÃO PARA A TROCA: as damas vão para o centro de um círculo e os cavaleiros para o lado de fora. (ou vice-versa).

PASSEIO (ou GRANDE PASSEIO): as filas, girando pela direita, se unem num grande círculo. Os casais passeiam com os cavalheiros dando a mão direita à sua dama.

TROCAR DE DAMA (o famoso changer de dame) os homens dão um passo à frente, pegando a dama seguinte. O passo vai se repetindo até voltar ao par inicial.

TROCAR DE CAVALHEIRO: as damas passam pelos cavalheiros até ficar junto ao seu par.  Só as mulheres andam.

TÚNEL: os pares formam duas filas, com as damas e os cavalheiros de frente uma para o outro, segurando as mãos no alto, formando um túnel. O último casal da fila passa por dentro do túnel, logo em seguida o seguinte, até que todos passem.

ANAVANTUR: Como no TUR, só que depois de uma volta a dama dança com o cavalheiro da frente, assim sucessivamente até voltar ao seu próprio cavalheiro.

CAMINHO DA ROÇA: damas e cavalheiros, em fila indiana, caminham dançando.

OLHA A COBRA: todos os pares pulam, simulando fugir da cobra. Nos pulos, coreográficos, giram no ar e voltam a caminhar no sentido contrário.  Quando o comando grita “É MENTIRA” todos voltam a girar e caminhar novamente no sentido em que estavam indo.

OLHA A CHUVA: os participantes colocam as mãos sobre a cabeça, como se se protegessem. Se o comando disser “É MENTIRA” todos retiram as mãos da cabeça.

CARACOL: os participantes, em fila indiana, começam a enrolar a fileira, no sentido do centro da roda.  Quando o comando disser “DESVIAR” todos rodam ao contrário para desfazer o caracol.

GRANDE RODA: damas e cavalheiros formam uma grande roda, de mãos dadas, à direita ou à esquerda, conforme o comando.

COROAR DAMAS: os cavalheiros erguem os braços sobre as cabeças das damas.

COROAR CAVALHEIROS: agora são as damas que suspendem os braços em torno das cabeças dos cavalheiros.

DUAS RODAS: Duas rodas, uma formada pelas damas outra pelos cavalheiros, se movimentam conforme o comando.

DESPEDIDA: os pares deixam a pista, acenando para o público.

A quadrilha termina com o GALOPE, em que os participantes mudam de lugar e passam uns na frente dos outros cumprimentando-se.

Em geral, principalmente em Minas Gerais, após a quadrilha a música continua e começa o baile em que participam todos os presentes.

A título de ilustração,  e como homenagem ao nosso grande Carlos Drummond de Andrade, transcrevemos seu poema QUADRILHA cujo ritmo é marcado com a repetição encadeada do verbo “amar”.

João amava Teresa que amava Raimundo
Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lilí
Que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lilí casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.

Autor: Yassir Chediak

 

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